Uma pesquisa nacional revela como Google, marketplaces, redes sociais e inteligência artificial participam de diferentes momentos da jornada de compra.
Pense na última compra que você fez pela internet. Talvez tenha descoberto o produto enquanto navegava pelo Instagram, pesquisado suas características no Google e, depois de comparar preços e avaliações, finalizado o pedido em um marketplace.
Agora pense: se alguém perguntasse onde você começou a pesquisar e onde descobriu o produto que comprou, suas respostas seriam necessariamente iguais?
Provavelmente não. E é justamente essa diferença que merece a atenção de quem administra uma empresa.
O estudo O Mapa da Busca no Brasil 2026, realizado pela Optimiza Marketing em parceria com a AB Pesquisas, ouviu mil consumidores brasileiros em dezembro de 2025 e revelou um comportamento interessante.
Quando perguntados espontaneamente sobre a primeira ferramenta que vem à mente para pesquisar produtos e serviços, 64% citaram o Google. Mas, ao responderem onde descobriram o produto de sua compra online mais recente, 27,3% apontaram marketplaces, enquanto 15,9% mencionaram Google ou Google Shopping.
Esses resultados não se contradizem. Na verdade, mostram que lembrar de uma ferramenta para pesquisar e descobrir um produto que será comprado são comportamentos diferentes.
E existe mais uma mudança acontecendo.
No mesmo estudo, 71% dos entrevistados concordaram que costumam validar no Google informações recebidas de ferramentas de inteligência artificial. Isso sugere que, para muitos consumidores, a IA funciona como mais uma etapa de pesquisa, sem necessariamente substituir os canais tradicionais.
Esse comportamento ganha relevância quando observamos a dimensão do consumo digital brasileiro. Segundo o IBGE, em 2025, 52,7% das pessoas que utilizaram a internet no Brasil compraram ou encomendaram produtos ou serviços online. Pela primeira vez na série histórica, essa proporção ultrapassou metade dos usuários.
Mas o que tudo isso significa para as empresas?
Que pensar em visibilidade apenas como aparecer nos primeiros resultados de uma pesquisa pode ser insuficiente para compreender a jornada completa de um consumidor.
Uma pessoa pode conhecer uma marca nas redes sociais, procurar informações em seu site, consultar avaliações, comparar alternativas e conversar com alguém antes de tomar uma decisão. Cada contato cumpre um papel diferente.
Por isso, a estratégia precisa considerar não apenas onde a empresa aparece, mas como suas informações se conectam ao longo desses encontros.
Imagine encontrar uma empresa com uma comunicação interessante no Instagram, mas descobrir informações contraditórias no site. Ou conhecer um produto pelo Google e não conseguir esclarecer uma dúvida importante antes da compra.
A marca foi encontrada, mas a experiência perdeu continuidade.
E esse talvez seja um dos maiores desafios da comunicação digital atual: construir uma presença coerente em diferentes ambientes, sem tratar cada canal como uma ilha.
Para empresas, isso exige conhecer melhor o comportamento do público, entender as diferentes etapas de decisão e identificar quais informações realmente ajudam as pessoas a avançar.
Nem sempre será necessário estar em todas as plataformas. A prioridade deve ser definida pelo perfil do público, pelos objetivos do negócio e pelas evidências disponíveis.
No fim, a visibilidade é importante, mas a conexão entre os pontos de contato pode fazer tanta diferença quanto o primeiro encontro.
A questão deixa de ser apenas onde os clientes conseguem encontrar sua empresa e passa a incluir o que eles encontram, como interpretam essas informações e se conseguem continuar sua jornada com confiança.
Porque ser encontrado pode representar o início de uma relação. Mas é a experiência construída depois desse encontro que ajuda a determinar como ela continua.